O dinheiro ou a vida?

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Lendo sobre a Tripla Origem do Dinheiro,  Leonardo Wild diz que estamos tão habituados ao uso do dinheiro que perdemos a consciência não só de suas origens, mas do conceito por trás da palavra “economia”. O autor nos convida a pensar simplesmente no intercâmbio econômico e no que esse intercâmbio entrega, seja um bem ou um serviço. Não se trata, portanto, de entregar um valor em dinheiro já que nem sempre o valor que entregamos é igual ao valor que recebemos.

Neste contexto, Wild identifica três tipos de intercâmbio econômico: o obséquio (ou o presente), o próprio intercâmbio (ou a troca) e o dinheiro. A economia do obséquio ocorre quando uma pessoa entrega algo que a outra necessita e o faz sem expectativa de um retorno financeiro; a economia da troca é um intercâmbio de bens e serviços por meio de uma dupla coincidência, quando ambas as partes querem o que a outra está oferecendo para o intercâmbio. Por último, a economia do dinheiro se define como uma simples ferramenta que permite evitar as limitações da dupla coincidência econômica da troca.

Mas, desde quando deixamos de priorizar as duas primeiras formas de economia? Desde quando deixamos de usar o dinheiro como uma simples ferramenta? Bill Mollison, o eterno pai da Permacultura, arriscou um palpite nos seus escritos ao dizer que muitos poucos sistemas sustentáveis estão desenhados ou aplicados por aqueles que detêm o poder e a razão, disse, é obvia e simples: “Deixar que as pessoas organizem seus próprios alimentos, energia e habitação é perder o controle econômico e político sobre elas”.

Segundo Mollison, todos os problemas essenciais para manter a vida na Terra já foram resolvidos e, por esta mesma razão, talvez nós não devêssemos fazer outra coisa senão aplicar nossos conhecimentos para o próximo século. E para fazê-lo, opina: “Devemos deixar de olhar as estruturas de poder, os sistemas hierárquicos, ou que os governos nos ajudem e idealizar formas de ajudar a nós mesmos”.

Dando sequência a esta observação, o Levantamento Empoderado de Fundos que propõem John Croft, do movimento Dragon Dreaming, ressalta uma frase de Gandhi que nos convida a mudar de paradigma – a ver que sim há suficiente para todos os seres deste planeta se nos sintonizamos com a Terra e refletimos sobre nossa ganância. John Croft expõe que o conceito da abundância, muito comum hoje em dia, é o outro extremo da escassez.

“Na Terra há suficiente para que todos possam ter vidas saudáveis, produtivas e felizes, mas não tanto a ponto de satisfazer a ganância de um só homem”. Mahatma Ghandi

Nesta edição do Boletim Sustentável do CASA Latina, mostraremos como a busca pelo extremo levou uma das representantes do Coletivo Mulheres Equador a entrar em um telar da abundância e como as consequências de tomar decisões individuais para cumprir propósitos e sonhos individuais as distanciaram do que realmente estava buscando: o trabalho em coletivo e a suficiência para todos.

A arte de dar sem receber nada em troca foi o tipo de economia praticado e ilustrado no artigo sobre o primeiro fórum mundial organizado para defender os Direitos da Mãe Terra. Iniciativas como Junto Compremos, do Chile e Cestas Solidarias, do México também conseguiram agir em coletivo para propor mudanças nos hábitos de consumo comunitários. O trabalho em rede também se mostrou importante ao driblar os desafios financeiros que quase levaram a Rede Global de Ecovilas à falência, na Europa.

E para quem pensa que todo banco é igual, convidamos uma das fundadoras do Banco Tupinambá para compartilhar as histórias e conquistas do primeiro banco comunitário da Amazônia.

Boletim Sustentável – português

Boletín Sustentable – español

Boa leitura!

Henny Freitas – Líder Operacional do Círculo de Comunicação do CASALatina

 

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