Para onde vamos enquanto sociedade e como faremos para chegar lá?

A bióloga Júlia Vilela se fez essa pergunta e foi buscar a resposta. Para isso, abandonou o serviço público afim de fortalecer laços através de vivências coletivas e promover ações através de formações de redes, agregando os conhecimentos da Permacultura, da Agrofloresta, da Sociocracia e do Design Social.

by Júlia Vilelaimg_0169

Um caminho, muitos destinos. Vista do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. Foto: Júlia Vilela

Há meses venho tendo sonhos, intuições e chamados para seguir rumo ao Goiás, mais precisamente para a região da Chapada dos Veadeiros. E uma grande oportunidade me fez decidir vir até aqui mais rápido do que eu imaginava: participar de um curso de Design em Permacultura no Instituto Biorregional do Cerrado – o PDC do IBC!

Apesar de já ter feito um PDC antes, a proposta do IBC me chamou a atenção por incluir uma discussão pioneira sobre Design Social na grade do curso. Decidi “pular” regiões que eu queria muito visitar, como Pirenopolis e Abadiania, para poder participar do curso em Alto Paraíso de Goiás e conhecer a vivência comunitária dessa galera que há 4 anos decidiu comprar coletivamente uma terra degradada pelo uso agropecuário para cuidar do Cerrado.

A primeira sensação ao chegar na Casa Mãe do IBC já me deu a certeza de ter tomado a decisão certa. A cada novo participante ou facilitamor que eu conhecia, essa sensação só crescia. Rostos familiares me faziam sentir que já nos conhecíamos, que já fazíamos parte de um mesmo clã e que aquele reencontro não era por acaso…

Quase 60 pessoas estiveram reunidas durante 11 dias para discutir para onde vamos enquanto sociedade e como vamos fazer para chegar lá!

Conheci pessoas super especiais! Maria, assentada do MST em São Paulo, nos ensinou muito sobre a vida, sobre as plantas e sobre as lutas! Djeguaka, índio Guaraní lá do Jaraguá, também de SP, trouxe a força dos povos da floresta e os saberes de curas ancestrais (seus conhecimentos foram extremamente necessários, pois foram vários os processos de limpeza e cura pelos quais passamos esses dias!).

Muitos irmãos e irmãs, cada um com sua vivência, seus aprendizados, suas buscas internas. Alguns nômades como eu, outros buscando se fixar no campo, outros ainda procurando soluções para os problemas da urbe… Cada um encontrando elementos e ferramentas para levar pra si e melhorar seu ambiente e suas relações.img_0165

Brincando de casinha bio-construída. Foto: Júlia Vilela

As crianças tiveram um papel especial no encontro, pois nos traziam todos os dias a alegria, a leveza e a amizade. Seres de muita luz, nos ensinaram a resolver problemas com menos palavras e mais ações, mais abraços, mais sorrisos…

Gestão das Águas, Agrofloresta, Bioconstruções, Planejamento Permacultural, Sociocracia, Comunicação Não Violenta, Movimento de Ecovilas no Brasil e no Mundo… Rodas e mais rodas, olhos nos olhos, sorrisos, toques, danças, músicas, sons, silêncio. Um reencantamento humano, uma vivência de amor, compreensão, respeito e cura de feridas, da nossa geração e da geração de nossos antepassados. E um desejo coletivo de deixar um legado positivo para as próximas gerações, alinhando saberes tradicionais e tecnologia de ponta, fechando ciclos e gerando ABUNDÂNCIA!

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