Coração aberto, destino certo!

Na noite anterior à minha chegada à Espanha não sabia o que faria. Não tinha onde ficar e nenhuma ideia para onde ia. Os ônibus com destino a Alterra sairiam somente pela manhã do dia seguinte e meu avião pousaria depois das nove da noite que, de noite mesmo nada parecia, pois ainda se fazia de dia.

by Henny Freitasimage

A caminho do aeroporto recebi um e-mail trazendo boas notícias. Rikki, uma das organizadoras da conferência europeia da Rede Global de Ecovilas (GEN Europe Conference 2016), dizia para ficar tranquila, pois carona, comida e teto já conseguira. Tudo que precisava fazer era chegar em Bilbao e chamar um número. O número dava caixa postal e a internet gratuita pedia meus dados, mas nada fazia. Consegui um telefone emprestado, um outro número arranjado e uma voz pude escutar do outro lado.

Desci o elevador e avistei uma folha dobrada ao meio que trazia meu nome e sobrenome escritos em cor azul. Segurando o papel estava Hodei, um jovem extrovertido de sorriso largo que logo fez sentir-me em casa. Meia hora depois estacionávamos o carro às aforas dos portões da Ecovila Amalurra (Madre Tierra, em Euskara, idioma do País Basco).

Recepção mais típica não haveria. Tortilhas espanholas, salada orgânica fresca da horta e pão preto com fibras. Bixen, o pai. Pili, a mãe. Enquanto desfrutávamos a rica comida contavam-me anedotas de como a comunidade intencional começou.

Um sonho, uma realidade!

Amalurra_Colagem

Em 1992 uma mulher chamada Irene decidiu reunir um grupo de mulheres e, com elas, sentiu o chamado para sanar dores e pesares comuns àquelas almas cansadas. O processo foi amadurecendo e ambas reconhecendo a vontade comum de se libertarem de algo. Algumas dos trabalhos, outras dos maridos, da vida doméstica… e passaram a fomentar a ideia de apoiarem-se mutualmente através da vida em comunidade. Dois anos depois, com o apoio de outras pessoas, compraram juntas a terra onde hoje está situada a bela Ecovila Amalurra.

“Em 1994, decidimos comprar entre todos uns terrenos que levavam anos abandonados e colocamos mãos à obra para dar vida ao lugar: retiramos a maleza que cobria todo o terreno, recuperamos a vegetação autóctone e reformamos os antigos edifícios em ruínas”.

Hoje em dia, as vivendas convivem com espaços comuns ao ar livre e um complexo hoteleiro no qual oferecem espaços convidativos ideais para um retiro, repouso e para a reflexão, assim como instalações para o cuidado pessoal: spa, sauna e tratamentos de saúde e bem estar.

Cursos e Atividades

Amalurra_ColagemIIA comunidade também oferece workshops, cursos e atividades variadas. Para isso, contam com salas temáticas, um tipi, um círculo de pedra, uma réplica do labirinto da catedral de Chartres, um temascal e lindos jardins.

Toda a ecovila compartilha uma mesma composteira, hortas orgânicas e, para desenvolver o lado espiritual pessoal e coletivo, desfrutam de uma vida comunitária praticando sessões de meditação pelas manhãs. Parte da economia local é gerada na própria comunidade, onde parte dos membros trabalha no hotel e no restaurante – tudo cuidado com muito carinho, a começar pela escolha do nome das habitações: liberdade, gratidão…os mesmos desejos manifestados por aquelas mulheres visionárias no começo deste sonho coletivo feito realidade com as próprias mãos e corações.

 

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