Uma horta em cada escola. Imagine!

O atual sistema de ensino enfrenta cada vez mais o desafio de manter a concentração dos alunos em disciplinas ministradas em salas de aula fechadas, com quadros de anotações pendurados e onde muitas vezes os professores assumem o papel de soldados que vigiam pela manutenção da ordem. Essa realidade se torna ainda mais complexa em turmas multisseriadas.

by Diogo Lavareda

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Cultivando algumas especiarias na escola. Foto: Diogo Lavareda

Poderia aqui enumerar uma série de outras dificuldades também relacionadas ao sistema de ensino brasileiro, porém o que pretendo destacar é uma forma mais eficiente de se fazer o processo ensino-aprendizagem, que aborde as necessidades regionais e valorize o sistema de produção de alimentos através de uma sala de aula ao ar livre: uma horta em cada escola.

Para professores que valorizam atividades ‘extraclasse’, uma horta na escola poderia apresentar-se como alternativa de ensino para diversas disciplinas no que diz respeito ao conteúdo programático. Aponto alguns benefícios pedagógicos dessa ferramenta: fazer canteiros, por exemplo, possibilita o uso prático do conhecimento da Matemática. Variadas formas geométricas poderiam ser construídas – desde a identificação dessas formas até o cálculo da área –, a quantidade de plantas colocadas no canteiro em uma determinada área e o espaçamento indicado para determinada cultura.

Além da Matemática, os pacotes de sementes e todas as instruções contidas nas embalagens podem servir para o aprendizado da Língua Portuguesa, assim como para aulas de Ciências através da observação do desenvolvimento das plantas, da semente à floração, do ciclo da água e da fotossíntese.

(Re)educação Alimentar

A reeducação alimentar é mais uma importante justificativa para apoiar a propagação de hortas nas escolas. O fornecimento de alimentos para a cantina da escola é outro benefício direto que uma horta pode trazer para a instituição. É uma prática que traz soberania alimentar para o convívio diário de alunos e funcionários da escola.

É comum encontrar a falta do envolvimento da comunidade nas escolas. Esses espaços de convívio são importantíssimos para a formação da cidadania. Por isso, a construção de um canteiro na escola oferece uma chance real de reunir pais de alunos, funcionários da escola e moradores da região para uma ação prática comunitária culminando no enriquecimento eco pedagógico desse ambiente de ensino onde a prática é quem ensina.

As escolas localizadas na zona rural devem ter atenção especial nesse aspecto já que a agricultura como conhecimento tradicional vem sendo desvalorizada pelos mais jovens – fator que pode ser atribuído parcialmente à federalização do currículo escolar que desrespeita, entre outros aspectos, as particularidades existentes em um país de tamanho continental e multicultural, como a não inclusão da agricultura em seu conteúdo programático, negligenciando assim o próprio conhecimento rural.

Alguns projetos vêm obtendo sucesso ao redor do mundo nessa prática que visa tornar o processo ensino-aprendizado mais dinâmico e libertário. No Norte do Brasil, na região do nordeste paraense, já me envolvo com grupos formados por diversos atores do conhecimento na implantação de algumas hortas em escolas visando os benefícios citados acima.

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Dicas elaboradas pelo coletivo “Hortelões Urbanos”

Para iniciar uma horta é fácil e os custos iniciais para preparação de um canteiro são baixos e podem ser ainda mais amenizados através do uso de resíduo orgânico da própria escola através da prática da compostagem.

A construção de uma horta traz consigo diversas formas de abordagens que facilitam o processo de alfabetização ecológica e a conscientização de que alimento vem da terra e não do dinheiro!

 

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