Ocupar e Resistir

O que o Parque Augusta e as Escolas Estaduais têm em comum? Leia e tire suas próprias conclusões!

by Henny Freitas

imageOcupa EE Diadema. Foto: Henny Freitas

Enquanto a dupla Setin e Cyrela (construtora e incorporadora) disputa o Parque Augusta pelo princípio do lucro através da destruição da última área verde livre de construções do centro de São Paulo, o movimento Organismo Parque Augusta, os moradores do entorno e a sociedade civil organizada tentam assegurar o Direito ao Meio Ambiente Ecologicamente Equilibrado, o bem-estar do cidadão e a qualidade de vida humana na Terra através da tentativa de se preservar essa mesma última área verde livre de construções que sobrou no centro de São Paulo: o Parque Augusta.

Seguindo o Princípio n.15, da ECO-95, o movimento prioriza a precaução ao invés de mitigar os danos irreversíveis causados pela especulação imobiliária.“De modo a proteger o meio ambiente, o princípio da precaução deve ser amplamente observado pelos Estados, de acordo com suas capacidades. Quando houver ameaça de danos sérios ou irreversíveis, a ausência de absoluta certeza científica não deve ser utilizada com razão para postergar medidas eficazes e economicamente viáveis para prevenir a degradação ambiental.”

Depois de 40 anos de convivência com a natureza, o Parque Augusta foi fechado arbitrariamente pela primeira vez em dezembro de 2013 – exatos seis dias após o atual prefeito Fernando Haddad ter sancionado a lei que autoriza a criação do Parque Municipal Augusta. Logo de um ano fechado, foi reaberto pela população em janeiro de 2015 fazendo do Parque Augusta uma Zona Autônoma Temporária.

Durante 47 dias, co-criamos o Parque Augusta dos nossos sonhos. Plantamos mais de 200 árvores nativas da Mata Atlântica. Oferecemos diversas oficinas. Promovemos debates e atividades focados na educação ambiental, social, ética e cultural. Ocupamos o Parque Augusta com a finalidade de preservá-lo e ampliá-lo, assim como sugere a matrícula centenária do terreno.

O resultado? Fomos expulsos por uma reintegração de posse súbita e ilegal. Com isso, não pudemos mais proteger o nosso tão sonhado Parque Augusta. Fechado novamente pela dupla (des)construtora Setin-Cyrela, as novas árvores, raras e em extinção, asseguradas por lei e plantadas com tanto zelo por uma população preocupada com a mudança climática e com a crise surreal de abastecimento da água em São Paulo, foram arrancadas à machadadas e levadas embora, sabe-se lá para onde, em caminhão.

Em abril deste ano, conseguimos o reconhecimento na justiça e o Parque Augusta foi reaberto pela metade. Fragmentado, apenas a área do bosque permitia o acesso da população. Três meses depois, o parque foi novamente fechado e assim permanece até hoje.

Novo Jeito de Fazer Política 

Há tempos tanto o capitalismo quanto a velha forma de se fazer política vem sendo questionados. As também velhas formas de reivindicação e invasão fazem cada vez menos sentido. No lugar, a política do “faça você mesmo” e as ocupações ganham cada vez mais adeptos e mais força.

Hoje visitei uma escola. Mas não uma escola qualquer. Visitei a Escola Estadual Diadema. Essa foi a primeira escola a ser ocupada no Brasil contra um projeto arbitrário de reorganização escolar por parte do governo do Estado.

Passamos a tarde na ocupação. Conversamos com alguns estudantes. Planejamos juntos aulas de Educação Ambiental. Identificamos o local da futura horta escolar – a primeira da região. (Leia também: Uma horta em cada escola. Imagine!). E quem teve uma verdadeira lição de cidadania, organização e política… fomos nós.

Duas estudantes, em particular, me chamaram bastante atenção. Trata-se da Fernanda e da Luana. Ambas de 17 anos. Elas poderiam estar fazendo qualquer outra coisa: planejando as férias, frequentando shopping centers ou até mesmo chorando alucinadas pelos seus ‘boy-bands’ preferidos. Mas não. Elas preferem investir o tempo que têm em articular-se com outros alunos e alunas de outras 230 escolas estaduais que, como num efeito dominó, passaram a ocupar as escolas e a reivindicar a mesma pauta: a não reorganização escolar. Não, ao menos, dessa maneira. Não, sem antes dialogar.

Assim como no Parque Augusta e em outros parques ameaçados que juntos compõe as últimas áreas verdes livres de São Paulo, as Escolas Estaduais estão questionando um ponto comum: a ocupação do espaço. Me pergunto: Se as pessoas estão no “lugar errado”, onde elas deveriam estar? Se não “essas pessoas”, quem? Quem define o lugar de cada um?

Saí de lá emocionada. Quando crescer quero ser igual a elas!

Entenda como a ocupação começou e inspire-se:

 

 

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