Crise como Oportunidade para Despertar

Em um período onde o valor do dinheiro diminui por causa de colapsos econômicos, pode ser uma boa hora para pensar se a sua força vital está sendo bem recompensada.

by Diogo Lavareda

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PicNic de Troca de Sementes Orgânicas. Parque do Trote – São Paulo. Foto: Henny Freitas

O trabalho de oito horas diárias pode não gerar o suficiente para pagar todas as contas do mês, entre elas: moradia, alimentação e cada vez menos, o lazer. Por isso, tem sido mais frequente a busca por alternativas para esse tipo de vida onde o primeiro passo parece ser a prática de consumo mais simples e consciente, uma menor dependência de grandes corporações e a busca por uma certa soberania alimentar.

Fortalecer a economia local ao invés do grande sistema bancário mundial e reconhecer o papel da comunidade são de grande importância contra esses problemas de desequilíbrio econômico, assim como fundamental para a criação de valores interpessoais entre membros de uma comunidade. Apoiar escolas e comerciantes da região, zelar pelas áreas de convivência e promover eventos de conscientização são algumas ações que surgem nesses tipos de organizações e têm mostrado resultados promissores para um desenvolvimento mais sustentável – sejam em espaços rurais ou urbanos.

Nossa escolha alimentar é outro fator importante para qualquer mudança, visto que hoje grande parte da alimentação consumida pelos centros urbanos e até mesmo nos interiores é vendida por grandes empresas que, de certa forma, são responsáveis pela crise ambiental e social que assombra o planeta. Mudanças de hábitos alimentares e a decisão na hora de comprar o alimento são como afirmar que tipo de produção apoiamos. E aí entram vários tipos de certificações.

Decidir por um produtor local, além de incentivar a economia regional, gerando empregos no lugar que moramos, também diminui a pegada ecológica envolvida no processo de transporte desse produto. Mesmo assim, se sua decisão for por um produtor mais distante é importante averiguar as informações dessa empresa em relação ao tipo de conduta desta em relação ao meio ambiente, o tipo de trabalho empregado e a utilização de produtos considerados nocivos para saúde humana (e não humana) em seu processo de produção.

Para alguns, a opção do vegetarianismo parece uma posição política e não só alimentar. Algumas comunidades rurais já desenvolveram sua soberania alimentar através da prática dos conhecimentos da permacultura que têm, como princípios básicos: o respeito pela vida, pelo planeta e um compartilhamento justo. A autonomia dessas comunidades também é refletida no processo educacional da próxima geração. As crianças recebem uma educação que respeita suas origens e cultura e favorece o ensino da produção alimentar através de novas formas de relação com o planeta. Um ciclo natural, assim como o ciclo do despertar que a crise pode trazer, ao repensarmos nosso comportamento e posição diante de toda essa oportunidade de mudança.

Para superar esse momento temos que repensar nossas ações agora e como estamos criando as próximas gerações. Eu imagino o Brasil saindo dessa crise com ainda mais comunidades fortalecidas e interagindo em um organismo maior como células autogeridas. Sobrevivendo e perpetuando o aprendizado da atual para as próximas gerações de respeito ao planeta como principal fornecedor de alimento que nossa espécie pode encontrar e uma menor dependência do sistema bancário mundial.

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